Conheça mais sobre a Doença Renal Crônica e aprenda a cuidar de seus rins

A Doença Renal Crônica (DRC) consiste na perda progressiva e irreversível da função dos rins, o que deteriora a saúde do paciente. Em sua fase mais avançada, a pessoa pode necessitar de diálise e/ou até mesmo de um transplante de rim. A DRC é séria e requer cuidado. Mas, saiba que a evolução técnica e científica já permitem uma melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes em tratamento.

É importante saber que ter um rim portador de Doença Renal Crônica não é sinônimo de abdicar de tudo que gosta por causa da DRC. A evolução nas técnicas de tratamento vem melhorando em muito a saúde e a vida dos pacientes renais, trazendo melhor qualidade ao dia a dia dos pacientes. Claro, não se pode esquecer dos cuidados com a saúde, que são imprescindíveis no tratamento e na prevenção da DRC.

 

Conhecendo mais sobre a Doença Renal Crônica – DRC

Dr. Daniel Marchi

Logo a seguir, você encontra uma entrevista com o Dr. Daniel Marchi, Médico Especialista em Nefrologia do INEB Bauru. Ele fala um pouco mais sobre a DRC, os aumentos nos casos da doença e sobre cuidados simples que podemos ter para evitar problemas nos rins.

– Há um perfil comum para quem desenvolve DRC?

Na verdade, existem fatores de risco para a Doença Renal Crônica. Indivíduos portadores de Diabetes, Hipertensão Arterial Sistêmica, casos de DRC na família, tabagismo, obesos; esses têm maiores chances de desenvolverem doenças renais.

– Considerando os avanços tecnológicos no tratamento renal, quais são as técnicas mais utilizadas hoje?

Existem várias modalidades de Terapia Renal Substitutiva (TRS). Dentre elas, o transplante renal, a Hemodiálise Convencional (HD), Hemodiálise diária (HDD), Hemodiálise Noturna (HDN), Diálise Peritoneal Automatizada (DPA), DP ambulatorial contínua (CAPD) e a Hemodiafiltração (HDF). Devemos dar um especial destaque a esta última modalidade, que vem ganhando espaço no tratamento da DRC, principalmente nos países do primeiro mundo, visto estudos recentes demonstrarem uma maior sobrevida dos pacientes em comparação aos demais métodos dialíticos.

– Todo paciente que realiza hemodiálise, eventualmente, terá de fazer um transplante?

O transplante renal é o método de TRS que proporciona maior sobrevida aos pacientes renais crônicos dialíticos. Porém, apenas de 30 a 40% desses indivíduos podem ser submetidos a um transplante, pois a maioria tem contraindicações ao procedimento, como idade avançada, comorbidades graves ou doenças infecciosas e tumores malignos ativos.

– A DRC vem apresentando um aumento no número de casos no Brasil e no mundo. Essa constatação é reportada por dados internacionais e do próprio Ministério da Saúde. Pode-se identificar um motivo, ou motivos, para esse aumento?

Sim. Esse crescimento vem acompanhando o aumento da expectativa de vida populacional, inclusive nos países emergentes. Houve um aumento na prevalência de doenças como o Diabetes e a Hipertensão Arterial Sistêmica, que são as principais causas da DRC. Portanto, a maior prevalência dessas doenças na população idosa tem impacto direto na DRC, com um aumento no número de casos.

– Um paciente que precisa realizar hemodiálise regularmente deve se restringir de alguma atividade em sua vida cotidiana ou ele está livre para quaisquer atividades que queira realizar?

Depende muito do estado clínico do paciente [comorbidades, desnutrição], da modalidade de diálise, do tipo de acesso para diálise [fístula, cateter venoso, cateter de diálise peritoneal]. Por exemplo, um paciente com cateter venoso para hemodiálise não deve entrar na piscina para evitar molhar o mesmo. Mas, caso o paciente tenha um tratamento dialítico otimizado, que possibilite um ganho funcional, tenha um acesso venoso definitivo [fístula]; as atividades cotidianas podem ser realizadas sem problemas.

– Qual a importância do atendimento humanizado na recuperação e tratamento de um paciente renal?

A DRC, principalmente em suas fases mais avançadas, leva a uma alteração na qualidade de vida das pessoas afetadas, com perda, muitas vezes, do vigor físico, além de transtornos de humor e mudanças em suas rotinas. Desta forma, um tratamento humanizado, com uma equipe multidisciplinar especializada e preparada para dar apoio, não só ao tratamento da DRC em si, mas em todas as desordens que acompanham a doença renal é fundamental para um tratamento mais efetivo e restabelecer a qualidade de vida desses indivíduos.

– Por fim e não menos importante, quais cuidados gerais uma pessoa precisa ter para manter um rim saudável e quais sintomas devem ser observados?

Para a prevenção da DRC, como regra, deve-se manter hábitos de vida saudáveis, como menor ingestão de sal e açúcares, alimentos industrializados e abandonar o tabagismo. Assim, uma dieta rica em frutas, legumes frescos e consumo adequado de água, além de atividades físicas regulares, auxiliam a manter o peso e reduzir os riscos das doenças cardio-renais. Para os indivíduos com risco de desenvolverem DRC, na presença de descontrole da pressão arterial, náuseas e vômitos, inchaço no corpo, perda de peso e apetite, redução da diurese, são sinais e sintomas de alerta para as pessoas procurarem um nefrologista.

 

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